LOLITA

 

Lolita

Vladimir Nabokov

 

Um dos clássicos da literatura do século 20. Lolita é bem mais do que um romance. É o momento de reflexão do homem na meia-idade, diante do desafio da geração mais nova. No livro de Nabokov, o tema é centrado no relacionamento radical do boy meets girl, embora o homem em questão esteja longe de ser um rapaz e a moça não seja mais do que uma menina. Suspeito de ser um livro fácil, destinado ao escândalo, Lolita logo se firmou como uma obra-prima – e foram muitos os que compararam Nabokov a Flaubert, não apenas pela capacidade na penetração psicológica, mas no show da técnica e na perfeição do estilo, a palavra justa no justo lugar da narrativa.

A trama que envolve dois personagens principais escapa da simples intriga sexual e se transforma numa meditação sobre o tempo e sua velocidade. Tempo que retardou, no professor, a paixao que nunca sentira. Tempo que acelerou na adolescente, condicionada pelas circunstâncias de uma época que derrubou tabus milenares, o encontro com a maturidade precoce, a burguesa fracassada e exausta, sem o desespero de uma Bovary antecipada.

TEXTO DE CARLOS HEITOR CONY

Membro do Conselho Editorial e Colunista da Folha

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